• POEMA DE NATAL
    Há 2 Anos - POR VINICIUS DE MORAES



    Natal

    De repente o sol raiou
    E o galo cocoricou:

    - Cristo nasceu!

    O boi, no campo perdido
    Soltou um longo mugido:

    - Aonde? Aonde?

    Com seu balido tremido
    Ligeiro diz o cordeiro:

    - Em Belém! Em Belém!

    Eis senão quando, num zurro
    Se ouve a risada do burro:

    - Foi sim que eu estava lá!

    E o papagaio que é gira
    Pôs-se a falar: - É mentira!

    Os bichos de pena, em bando
    Reclamaram protestando.

    O pombal todo arrulhava:
    - Cruz credo! Cruz credo!

    Brava
    A arara a gritar começa:

    - Mentira? Arara. Ora essa!
    - Cristo nasceu! - canta o galo.
    - Aonde? - pergunta o boi.
    - Num estábulo! - o cavalo
    Contente rincha onde foi.

    Bale o cordeiro também:

    - Em Belém! Mé! Em Belém

    E os bichos todos pegaram
    O papagaio caturra
    E de raiva lhe aplicaram
    Uma grandíssima surra.

    Vinicius de Moares, Rio de Janeiro , 1962

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